
A Mulher e Seus Caminhos
Quase quarenta, corpo marcado,
três filhos em lares distintos,
a vida lhe pesa nos ombros,
mas o riso insiste nos brindes.
Ela entra no bar como rainha,
o salto ecoa na madrugada,
esconde na taça brilhante
as dores que ninguém encara.
Nos olhos, um brilho cansado,
memória de escolhas malditas,
mas na boca, um batom vermelho,
insiste em pintar sua vida.
Cada filho é um pedaço dela,
um eco de homens diversos,
mas todos a chamam de mãe,
embora lhe falte o verso.
A vizinhança comenta baixinho,
julgamentos se erguem no ar,
como se a vida tivesse roteiro
que ela falhou em ensaiar.
Mas dentro, um vazio ressoa,
uma busca que não termina,
ela corre de si mesma,
mas tropeça na própria esquina.
Nos bares, encontra refúgio,
sorrisos que duram segundos,
beijos que apagam lembranças,
mas não sustentam o mundo.
A maternidade a chama de volta,
olhinhos que pedem cuidado,
mas o peito dela se perde
entre o afeto e o pecado.
Não é má, nem cruel, nem fria,
é apenas humana demais,
cansada de rótulos e correntes,
querendo ser livre e em paz.
O tempo, porém, não espera,
e já desenha no rosto
as linhas que contam histórias
de escolhas, de perdas, de gosto.
Há quem diga que desperdiça
a chance de se refazer,
mas será que alguém enxerga
o medo que é renascer?
Ela dança porque tem medo
de parar e sentir o silêncio,
prefere o barulho da noite
ao peso do arrependimento.
Um dia, talvez, descubra
que amor não se acha em copo,
que os filhos são o espelho
onde a vida pede retorno.
Por ora, segue dançando,
entre bares e madrugadas,
uma mulher feita de erros,
mas também de esperanças caladas.
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