
Desencanto de Amar
Aos trinta e oito, ainda persiste,
Na dança incerta dos desamores,
Perde-se em promessas que resistem,
Mas que ao toque se desfazem em dores.
Cada paixão, um espelho quebrado,
Reflete fragmentos de seu ser,
Nas peças perdidas do passado,
A esperança começa a se perder.
Despede-se sem olhar para trás,
Crendo que o próximo será o certo,
Mas no vazio que o descaso faz,
Sente o coração mais frio, mais deserto.
Há beleza no novo, ela pensa,
Mas a beleza é frágil como vidro,
E no afã de encontrar recompensa,
Esquece que o amor pede equilíbrio.
Se descarta, pedacinho por vez,
Como quem rasga cartas sem ler,
Mas o tempo cobra o que se fez,
E o amor verdadeiro começa a perder.
Nos braços que um dia lhe seguraram,
Restou apenas o eco do adeus,
E nas noites em que se afogaram,
Só sobra a solidão sob os céus.
Ela busca, mas sem direção,
Em um labirinto que ela mesma construiu,
E a cada passo, mais longe do chão,
Percebe que o amor se diluiu.
São promessas vagas, vazias,
Que deixam apenas o gosto amargo,
E nas tantas despedidas tardias,
Carrega o coração em cacos.
O tempo, que a todos envolve,
Vai cobrindo as lembranças de pó,
E enquanto a vida lentamente dissolve,
Ela se afunda em seu próprio nó.
Finge que não sabe onde se perdeu,
Talvez no primeiro beijo, ao acaso,
Ou no último olhar que se deu,
Sem sentir que o amor era um laço.
E ao tentar resgatar o que foi,
Só encontra memórias desbotadas,
São faces que o tempo já corroeu,
E palavras que ficaram caladas.
A cada nova paixão que a abraça,
Sente o calor por um breve instante,
Mas é só um sopro que logo passa,
Deixando-a mais distante.
Ela não vê que o ciclo é vicioso,
Que o amor não é fuga, mas encontro,
E na busca pelo prazer ansioso,
Esquece que o amor requer confronto.
Mas há esperança, ainda que tardia,
Pois em algum canto do seu ser,
Talvez reste a chama, ainda fria,
Que espera por alguém a aquecer.
E se um dia ela parar para ouvir,
O silêncio que dentro dela mora,
Quem sabe o coração possa emergir,
E o amor verdadeiro, enfim, aflora.
Até lá, ela vagueia sozinha,
Na busca de um algo que não vem,
Mas o amor, quando é, se alinha,
E a distância não é mais refém.
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