
INTRODUÇÃO
Antes de julgar uma história, é preciso entender os caminhos que levaram alguém até ali. Entre escolhas impulsivas, noites iluminadas e responsabilidades que batem à porta, muitas vidas caminham em um delicado equilíbrio entre liberdade e consequência.
Nesta poesia, acompanhamos o retrato de uma mulher que vive entre dois mundos: o brilho das noites e o silêncio de casa. Entre erros, desejos e fragilidades, surge uma pergunta inevitável — até quando é possível fugir de si mesma?
“Entre luzes e sombras” é uma reflexão sobre escolhas, perdas e a esperança silenciosa de que sempre exista um momento para recomeçar.
Ela dança na noite, perdida em brilhos,
a vida é festa, um palco sem trilhos,
mas no silêncio, quando tudo se cala,
a alma chora, a verdade escorrega.
Três filhos pedindo um pouco de chão,
três histórias que pesam no coração,
mas ela insiste em fugir da rotina,
corre da vida, se esconde na esquina.
Cada amor foi impulso, sem direção,
um beijo rápido, pura emoção,
mas no despertar, a dura sentença:
ficou só a conta da consequência.
Ela sorri para não demonstrar,
que dentro há dores a sufocar,
finge coragem, veste ousadia,
mas carrega o peso da própria apatia.
Nas ruas, o perfume, salto estalando,
nos bares, o riso sempre chamando,
mas em casa, silêncio, pratos na pia,
a vida real nunca dá folia.
Os filhos a olham, querem atenção,
pedem histórias, pedem perdão,
mas o celular vibra, chama a balada,
e a mãe some outra vez, desvairada.
Não é má, apenas perdida,
não aprendeu o valor da vida,
vive correndo atrás de prazer,
sem perceber o que pode perder.
Os vizinhos cochicham, comentam baixinho,
“três pais, três crianças, sem rumo, sem ninho”,
mas ninguém sabe a dor escondida,
de quem nunca teve apoio na lida.
Ela busca em copos o que não tem,
À paz que escapa, que nunca chega,
e nas festas inventa um mundo perfeito,
onde a solidão não encontra jeito.
Às vezes pensa: “preciso mudar”,
mas logo esquece ao primeiro olhar,
um convite, uma música, uma mão estendida,
e lá se vai de novo, perdida.
No fundo, deseja ser diferente,
dar aos filhos um lar presente,
mas a chama da noite a arrasta,
como se a vida fosse só uma festa.
Há tempo ainda, há chance de flor,
de transformar ferida em amor,
mas precisa parar, olhar no espelho,
encarar-se inteira, sem desvelo.
Um dia talvez desperte cansada,
da vida curta, da estrada errada,
e encontre nos filhos a luz que precisa,
um norte seguro, uma nova brisa.
Pois toda mulher carrega em si,
a força imensa para reconstruir,
basta querer, basta acreditar,
que sempre é possível recomeçar.
Reflexão do Autor
Há histórias que não cabem em julgamentos rápidos. Muitas vezes, por trás de atitudes que parecem irresponsáveis, existem feridas antigas, ausências e uma busca desesperada por algum tipo de felicidade.
A personagem desta poesia não é um símbolo de erro, mas de conflito humano. Ela representa muitas pessoas que tentam preencher vazios com momentos passageiros, enquanto a vida real continua esperando por elas em casa.
O poema não fala apenas de queda, mas também de possibilidade. Mesmo quando a vida parece desorganizada, ainda existe a chance de parar, olhar para dentro e reconstruir o próprio caminho.
Porque, no fundo, todos carregamos luzes e sombras — e é na coragem de enfrentá-las que nasce a verdadeira transformação.

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