
No Silêncio da Madrugada: A Luta Entre o Sono e a Solidão
No silêncio da madrugada, você dorme, eu não.
Teus sonhos navegam mares, os meus se afogam em vão.
Enquanto repousa em paz, meu tormento é razão,
De um mundo que não dorme, de um coração sem perdão.
Você nem lembra, eu sim, do que fomos e somos,
Dos dias de sol claro, dos amores que embalamos.
Teu esquecimento é alívio, minha memória é praga,
Recordo cada sombra, cada dor que não se apaga.
Você não tem insônia, eu sim, noite após noite,
Procurando na escuridão, vestígios de um açoite.
Meus olhos arregalados, fitando o céu sombrio,
Enquanto você sonha, meu mundo é um vazio.
As horas passam lentas, marcando a solidão,
Cada minuto um eco, de um amor em contramão.
Você dorme tranquilo, no leito do esquecimento,
E eu vigio o relógio, buscando algum alento.
Na serenidade do sono, tua face é serena,
Enquanto meu corpo, luta em uma arena.
Você respira leve, eu suspiro pesares,
Teu descanso é a paz, meu refúgio são os mares.
Lembro do teu sorriso, da promessa e do adeus,
Você vive no agora, eu me prendo aos breus.
Cada lembrança uma estrela, que brilha sem cessar,
E cada estrela um espinho, que insiste em me furar.
A madrugada é longa, para quem não pode esquecer,
Enquanto você dorme, eu aprendo a me perder.
Na dança das horas, te encontro em cada sonho,
Você vive o presente, eu remo no abandono.
Você não se importa, eu carrego a dor,
De um amor que não morre, que só troca de cor.
Você esquece o passado, eu revivo o tormento,
Você dorme tranquilo, eu danço com o vento.
A noite se alonga, cada estrela um guia,
Você sonha feliz, eu vivo na agonia.
O tempo é relativo, quando o amor é presente,
Você segue em frente, eu sigo resistente.
Os ponteiros marcam, a passagem do esquecimento,
Você vive na luz, eu no escuro me tento.
Cada suspiro teu, é um acalanto ao meu ser,
Cada suspiro meu, é uma luta pra viver.
Na solidão da noite, você descansa em paz,
Eu busco respostas, no silêncio, voraz.
Você acorda sereno, eu encaro o cansaço,
Teu dia é esperança, o meu um eterno traço.
Você nem lembra, eu sim, de tudo que passou,
Cada gesto, cada beijo, cada vez que o tempo parou.
Você segue em frente, eu preso no ontem,
Você é o presente, eu sou o dormente.
E assim seguimos, em linhas paralelas,
Você dorme em paz, eu vigio as janelas.
O sol se levanta, você desperta sorrindo,
E eu, na madrugada, continuo persistindo.
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