
Ela partiu em busca de um amor distante,
sem ver que o seu já era suficiente.
Chamou de rotina o que era cuidado,
e deixou escapar o que era presente.
Achou que o amor precisava de vertigem,
de promessas grandes, de risco e dor.
Trocou o certo pelo improvável,
confundiu ausência com falta de amor.
Na estrada incerta dos seus desejos,
colheu encontros vazios de sentido.
Beijos sem nome, abraços sem porto,
um coração cada vez mais dividido.
Então a vida chegou sem pedir licença,
num ventre que passou a pulsar razão.
Uma criança crescia em silêncio,
enquanto ela reorganizava o coração.
Não era culpa, tampouco castigo,
era apenas a vida mudando o roteiro.
Mas no fundo da pergunta não dita,
faltava ainda um amor verdadeiro.
O tempo passou sem dar resposta,
não foi dessa vez, não quis ficar.
O amor sonhado virou distância,
mais um capítulo a se fechar.
Hoje ela ensaia sorrisos diários,
como quem aprende a representar.
Maquiagem firme, postura intacta,
pra ninguém notar o que insiste em sangrar.
À noite, quando o mundo silencia,
ela conversa com o que perdeu.
Revê escolhas, refaz caminhos,
pensa no amor que não protegeu.
Ele vive na memória cansada,
como casa vazia à beira do fim.
Não dói o que foi errado apenas,
dói saber que poderia ter sido assim.
A criança dorme e respira verdade,
um amor inteiro, sem condição.
Pequenas mãos curam feridas,
onde faltou a outra direção.
Ainda assim existe um vazio adulto,
um espaço que ninguém substitui.
É o amor que entende o silêncio,
e não promete, apenas flui.
Ela segue, discreta na própria dor,
vivendo firme, aprendendo a ser.
Talvez um dia entenda, com calma,
que o amor ignorado não costuma esperar você
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