
O Grande Orador
Subiu no palanque com ar de esperança,
jurando que o povo seria a mudança.
Falou tão bonito, gesticulou,
mas foi só ganhar que tudo mudou.
Prometeu fartura, justiça e verdade,
mas trouxe foi caos, desordem e alarde.
Disse que o pobre teria respeito,
mas só garantiu imposto e despejo.
Chamou de “fake” o que era real,
mudou o discurso num tom teatral.
Se ontem dizia que a culpa era deles,
hoje garante que tudo está leve.
O povo com fome? Que grande mentira!
Se tem influencer vendendo marmita!
O preço subindo? Bobagem, besteira!
Compra um calango e faz na frigideira!
Enquanto a miséria invade a cidade,
ele inaugura a nova vaidade.
Com pompa, com luzes, com faixas no chão,
pois crise não entra em sua mansão.
E quando questionam, rebate ligeiro:
“Eu sou um humilde, igual ao pedreiro!
Andei de metrô, peguei condução,
só não me perguntem em qual eleição.”
Disse que o povo era seu compromisso,
mas correu pro banqueiro e sentou no serviço.
Se a rua reclama, ele diz que é pouco,
se a fila aumenta, “é gente sem gosto!”
Reforma promessa, refaz juramento,
troca os ministros, renova o tormento.
Mas sempre que erra, se faz de esquecido,
culpando a herança, o astro e o signo.
E os fãs seguem firmes, aplaudem, veneram,
não importa o furo, o buraco, a esfera.
Se o plano afunda e a dívida grita,
culpa é do povo que pouco acredita.
E assim segue o tempo, a roda girando,
quem manda se esconde, quem paga tá olhando.
E quando acabar, quem sabe, quem dera,
a culpa recai no líder que espera.
Pois virão outros rostos, virão novas falas,
e o mesmo teatro em novas palavras.
Só muda a legenda, só troca a bandeira,
mas segue a mentira, perene e certeira.
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#Retórica
#Desigualdade
#Corrupção
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