
Silêncio e Partida
Foi um longo inverno de dias cinzentos,
De palavras caladas, ventos frios e lentos.
Quantos foram? Nem sei contar,
Mas cada um fez questão de me lembrar.
Seu silêncio dizia tudo e nada,
Como um rio que corre, mas não lava.
E eu fiquei ali, esperando, talvez,
Que você viesse, mas nunca veio, dessa vez.
Agora volta, com um sorriso rouco,
Como quem confia que é tudo tão pouco.
Mas meu peito é um campo vazio,
E o seu eco ali, já virou desafio.
Quantas vezes, amor, eu me calei,
Aceitei o vazio que você me deixou.
E agora, quer voltar? Não, é tarde,
Fechei o livro, e ele ficou à margem.
Acreditei, totalmente, na mudança,
Que o tempo cuidaria da nossa lembrança.
Mas dias e noites se tornaram ausentes,
E o amor? Perdeu-se entre dentes.
Hoje eu vejo, com olhos frios,
Que seu amor sempre foi fugidio.
Palavras doces, ditas em vão,
Mas nas mãos, só deixavam ilusão.
As promessas quebradas, agora distante,
Se tornaram eco, voz errante.
E mesmo que você queira recomeçar,
Essa história, amor, já chegou ao mar.
Eu sigo agora, só e sereno,
Aceitando que o amor também condena.
Lições aprendidas, coração cicatrizado,
Por você, amor, já não sou refém, não sou passado.
Você quer voltar, mas eu, inteiro,
Decidi ser meu próprio sol, à minha maneira.
Sem sombras, sem neblina a me rondar,
Meu caminho agora é meu lugar.
Em cada adeus, há um renascer,
Em cada silêncio, o poder de escolher.
E eu escolhi, enfim, viver em paz,
De você, amor, eu me despeço — sou capaz.
Caminho firme, olhos ao céu,
Abro as asas, busco o que é meu.
E o vento que antes me trouxe dor,
Hoje sopra apenas liberdade e amor.
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