
Sombras do Bar e da Madrugada
O que me irritava em você, era sua vontade,
De permanecer nos bares até altas horas,
Sua alegria, uma estranha vaidade,
Enquanto a noite fria lá fora desdobra.
Os copos tilintavam, brindes vazios,
Risadas soltas, ecos de uma ilusão,
Nas mesas de bar, sonhos fugidios,
Enquanto em casa, eu sofria em solidão.
A música alta, o cheiro de cigarro,
Os rostos desconhecidos, olhares sem fim,
E você, entre eles, num doce amparo,
Enquanto a saudade rasgava em mim.
Os minutos se estendiam, eternidades,
A cada gole, mais um pedaço se perdia,
Eu contava as horas, repleto de ansiedades,
Enquanto sua volta tardia me consumia.
O que havia nos bares que eu não podia dar?
A companhia, a fuga, ou apenas um sorriso?
Ao voltar, um sentimento de pesar,
Como se a alegria lá fora fosse o paraíso.
Nos teus olhos, vi sombras de exaustão,
Na tua voz, o eco de um cansaço profundo,
E a casa, para ti, uma prisão,
Enquanto para mim, era todo o meu mundo.
Assim, noites e noites se repetiam,
Um ciclo sem fim de espera e tristeza,
Os bares, para ti, mais que um alívio,
Para mim, apenas dor e incerteza.
Na solidão da madrugada, escrevo este verso,
Com a esperança de que um dia possas ver,
Nos bares, não é possível encontrar o universo,
E que é em casa onde podes realmente viver.
Mas enquanto isso, a cada sábado, padeço,
Na espera interminável de teu regresso,
E talvez um dia, enfim, eu esqueço,
Ou quem sabe, em teus braços, eu confesso.
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