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Vidas Áridas

 

Nos confins da terra seca,

onde o sol castiga o chão,

há passos duros na areia

e um silêncio de assombração.

 

Segue o homem, segue a esposa,

segue a fome pelo trilho,

carregando nos escombros

um futuro já franzino.

 

Os meninos não reclamam,

pois o choro é proibido.

Cachorro magro os vigia,

mais irmão que um desconhecido.

 

No horizonte, nada muda,

só o vento arrasta o pó,

e o destino se repete

feito sina ou feitiçó.

 

Não há sonho, nem palavras,

só a espera, só a cruz.

Quem nasceu na terra árida

nunca viu um céu azul.

 

Os patrões falam de dívida,

de trabalho, de favor,

mas a fome tem o preço

de um silêncio sem rancor.

 

Mãos vazias se estendem,

pedem troco, pedem abrigo.

Mas ninguém olha essa gente,

ninguém vê o que é sofrido.

 

O passado se dissolve

no estalo de um trovão.

Chove longe, chove tarde,

e a miséria é a prisão.

 

Se a esperança ainda resta,

é miragem, é fumaça,

pois quem vive da estiagem

não conhece a bonança.

 

Não há nome, não há riso,

nem direito, nem idade.

Cada um se faz um número

na contagem da cidade.

 

A palavra engasga seca

entre os dentes amarelados.

Quem nasceu para ser sombra

não aprendeu a ser amado.

 

E na noite, o cão se enrosca,

farejando um chão sem dono.

Seu olhar de desalento

parece espelho do homem.

 

Quando a seca enfim retorna,

já não restam muitos rastros.

Segue o povo, segue a fome,

segue a vida sem espaço.

Bem-vindo ao POESIAORIGIAL!

Somos apaixonados por poesia. Neste espaço, buscamos compartilhar não apenas palavras, mas emoções, pensamentos e reflexões que habitam nossos corações e mentes. Acreditamos no poder transformador das palavras e na capacidade única da poesia de tocar as almas, despertar a imaginação e conectar pessoas.

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