
Vidas Áridas
Nos confins da terra seca,
onde o sol castiga o chão,
há passos duros na areia
e um silêncio de assombração.
Segue o homem, segue a esposa,
segue a fome pelo trilho,
carregando nos escombros
um futuro já franzino.
Os meninos não reclamam,
pois o choro é proibido.
Cachorro magro os vigia,
mais irmão que um desconhecido.
No horizonte, nada muda,
só o vento arrasta o pó,
e o destino se repete
feito sina ou feitiçó.
Não há sonho, nem palavras,
só a espera, só a cruz.
Quem nasceu na terra árida
nunca viu um céu azul.
Os patrões falam de dívida,
de trabalho, de favor,
mas a fome tem o preço
de um silêncio sem rancor.
Mãos vazias se estendem,
pedem troco, pedem abrigo.
Mas ninguém olha essa gente,
ninguém vê o que é sofrido.
O passado se dissolve
no estalo de um trovão.
Chove longe, chove tarde,
e a miséria é a prisão.
Se a esperança ainda resta,
é miragem, é fumaça,
pois quem vive da estiagem
não conhece a bonança.
Não há nome, não há riso,
nem direito, nem idade.
Cada um se faz um número
na contagem da cidade.
A palavra engasga seca
entre os dentes amarelados.
Quem nasceu para ser sombra
não aprendeu a ser amado.
E na noite, o cão se enrosca,
farejando um chão sem dono.
Seu olhar de desalento
parece espelho do homem.
Quando a seca enfim retorna,
já não restam muitos rastros.
Segue o povo, segue a fome,
segue a vida sem espaço.
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